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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ivan Coelho, o homem que plantava árvores e cultivava a vida

Ivan Coelho, o homem que plantava árvores e cultivava a vida  (Vídeo no final da matéria)
Divulgação
Ivan Coelho
“A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana”. Esta frase é do naturalista inglês Charles Darwin. A ação de desviar-se de um animal na pista findou a trajetória do professor Ivan Coelho Dantas neste plano. Contudo, reafirmou a posição de respeito que ele tinha, incondicionalmente, pela vida.

A vida, ele dedicou à botânica. Seu envolvimento com foi tão intenso, que os jornalistas do estado sempre o identificaram como biólogo. Na verdade, Ivan Coelho era farmacêutico, como Carlos Drummond de Andrade. Formou-se em 1977, pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Em 1979, concluiu sua primeira especialização e se tornou farmacêutico industrial.

Em 1980, ao fazer outra especialização, se envolveu com a botânica. Desta vez o curso foi em sistemática das fanerógamas O título de especialista foi concedido pela Universidade de Brasília (UNB).

Há 33 anos, portanto, a relação do professor Ivan com as plantas se tornou definitivo. Como coordenador do projeto “Adote uma árvore”, da UEPB, ele administrava um viveiro com mais de 16 mil mudas. A cada mês eram distribuídas 500 plantas só no município de Campina Grande. Para se ter uma ideia da grandeza do projeto, de 2008 até 2012, já haviam sido plantadas 40 mil árvores na Rainha da Borborema.

O “Adote uma árvore” também chegou a Nova Palmeira, numa parceria entre a Câmara Municipal, Prefeitura, Centro de Educação Popular (CENEP), Caixa Econômica Federal (CEF) e a UEPB. O departamento de agroecologia da universidade doou 70 mudas para a cidade.

Para começar o plantio, o presidente do poder legislativo aguarda o envio de 70 grades de madeira solicitadas à CEF no dia 25 de julho. A missão do professor Ivan continua, portanto, plena de vida e de compromisso social.

É preciso destacar a militância política e a seriedade de Ivan Coelho para com Nova Palmeira. Logo no fim da ditadura militar, na década de 1980, no ano em que a Constituição Federal foi promulgada, ele se candidatou, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), ao cargo de prefeito. Obteve 778 votos, o equivalente a 40,14% dos votos válidos na eleição. Perdeu a disputa para José de Sousa Santos, do antigo Partido da Frente Liberal (PFL), mas qualificou o debate e fez história ao lado do companheiro de chapa Bento Coelho Pessoa.

No ano 2000, 12 anos mais tarde, Ivan se juntou à Nega Lourdes para, mais uma vez, contribuir com o debate necessário à elevação da democracia local. Se candidatou a vice-prefeito, numa coligação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Popular Socialista (PPS). A dupla conseguiu 897 votos, 38,5% do total de votos válidos.

Despois destas experiências eleitorais, Ivan Coelho se dedicou apenas à docência na universidade na qual se formou há 36 anos. Era um “homem de fazimentos”, para usar as palavras de Darcy Ribeiro. Contribuiu para a formação de quadros técnicos na graduação e na pós-graduação da UEPB.

Em Campina Grande, o professor atuou como chefe de departamento na Secretaria de Serviços Urbanos nas administrações de Cássio Cunha Lima, em 1990, e de Cozete Barbosa, em 2004.

Ivan Coelho Dantas era um profissional tão respeitado que, 17 dias antes de sua morte, protagonizou uma reportagem, assinada por Valéria Assunção e Popó Calixto e exibida pela TV Paraíba, afiliada da Rede Globo no estado, onde contava a história da Rua das Castanholas, em Campina Grande.

A leveza do texto de Assunção e a beleza do enquadramento de Calixto encontraram a competência do discurso de Ivan Coelho. O conjunto da obra resultou numa reportagem bonita e fixou a imagem de um professor simples, descontraído e, principalmente, devotado à sua missão.

As imagens, a fala e a gestualidade de Ivan Coelho, confirmam o a profecia de um jornalista, destacada por Nicolau Sevcenko no livro A história da vida privada no Brasil. Ao assistir, em 1895, a primeira sessão de cinema, promovida por Louis Lumière durante o Congresso das Sociedades Fotográficas Francesas, o profissional de imprensa disse:

- Quando esses equipamentos estiverem nas mãos do público, quando qualquer um puder fotografar os seus entes queridos, não apenas na sua forma imóvel, mas em movimento, ação, gestos familiares, e as palavras sendo ditas pelas suas bocas, aí então a morte não será mais absoluta, não será o momento final.

A morte de Ivan Coelho não põe fim à sua história, à sua trajetória, à sua determinação. Ela é apenas um imperativo que finda, neste plano, o vapor do qual se constitui a vida. Mas, como bem disse Paul Ricoer “não temos nada melhor que a memória para significar que algo aconteceu, ocorreu, se passou antes que declarássemos nos lembrar dela”.

A Câmara Municipal de Nova Palmeira tem a grata satisfação de guardar a memória de Ivan Coelho Dantas, de continuar na cidade o projeto “Adote uma árvore”, juntamente com o CENEP e de mostrar, às novas gerações, a importância e o significado de sua luta pela construção de um estado mais ecológico e democrático.

Assista AQUI ao vídeo com Ivan na TV Paraíba, 17 dias antes de falecer 

Manassés - ASCOM/Câmara Municipal de Nova Palmeira

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