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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Anos depois, famílias relembram a barbárie de Queimadas

Pouco mais de seis anos depois do caso que chocou o Brasil pela violência contra cinco mulheres em uma festa de aniversário, o primeiro dos sete condenados maiores de idade, já progrediu de regime e está a passos da liberdade
Foto: Reprodução 
Chacina aconteceu em Queimadas, PB
“É como se hoje ainda fosse aquele dia”, diz Maria de Fátima Frazão Monteiro, mãe de Isabela Pajuçara, uma das vítimas da “Barbárie de Queimadas”. Pouco mais de seis anos depois do caso que chocou o Brasil pela violência contra cinco mulheres em uma festa de aniversário, o primeiro dos sete condenados maiores de idade, já progrediu de regime e está a passos da liberdade. Diego Rego Domingues, conhecido como “Diego Gordo” foi sentenciado a 26 anos e 6 meses de reclusão. Ele cumpriu, segundo o advogado das vítimas, mais de 6 anos em regime fechado e com o trabalho na cozinha da Penitenciária Máxima (PB1), remiu três anos da pena, chegando ao direito de progressão de regime.


Na última sexta-feira, o juízo da comarca de João Pessoa, para onde o caso foi encaminhado, determinou que Diego Rego cumpra agora o restante da pena no regime semiaberto. Ele é liberado às 5h e retorna à Penitenciária Média Hitler Cantalice, em João Pessoa, às 20h. Aos sábados, o recolhimento é feito até as 13h. Noites, feriados e fins de semana não são livres, mas a progressão de regime é mais uma mágoa sob a ferida que ficou nas famílias das vítimas. A Justiça, que até então foi feita para Michelle Domingos, Isabela Pajuçara e outra três mulheres estupradas, agora beneficia o primeiro de sete condenados.

O advogado da família de Michelle, Francisco Pedro da Silva, lembra que Diego participou ativamente dos estupros. “Diego teve a menor pena de todos. Ele foi condenado apenas por um crime hediondo, o de estupro, mais formação de quadrilha e corrupção de menos. Ele tinha que cumprir pelo menos 5 anos da pena. Cumpriu 6, trabalhando 2 e pouco, e na soma conseguiu a progressão. O próximo a conseguir será o ‘Papadinha’, mais ainda faltam pelo menos oito anos para isso. Evidentemente, a situação toda era desmantelada, mas foi o Diego que iniciou a sessão com as meninas. Ele colocou os caras em círculo e foi trazendo as meninas”, disse.

Famílias se encontram. Na cidade, o clima é de silêncio. A tristeza está estampada no rosto das mulheres ajoelhadas na igreja para rezar durante a tarde. Quem é questionado sobre o caso, prefere não comentar. Mesmo depois de seis anos, ainda se vê o luto no rosto das pessoas, principalmente das mulheres.

Um desses semblantes transformados pela “Barbárie” é o da mãe de Michelle, Maria José Domingos. Não mudou muita coisa desde a última visita do Correio em sua casa.

Na sala, o mesmo retrato da filha continua pendurado na parede. Não há como esquecer a violência brutal que fez a recepcionista morrer de forma covarde. Mas as lembranças estão na rotina. É quase impossível não esbarrar com a família dos acusados em uma cidade de cerca de 42 mil habitantes. Se a Justiça condenou os sete acusados a pagarem suas penas em prisões de segurança máxima, os participantes da Barbárie condenaram as famílias de Michelle e Isabela ao enclausuramento da dor.

O irmão de Michele, Elvis Domingos, também não esquece a dor. Ele adquiriu um transtorno de ansiedade após perder Isabela. “Não sei explicar como é viver isso, nem desejo isso ao pior inimigo viver isso. É uma dor inexplicável. Pra mim até hoje a ficha não caiu direito. Eu evito conversar sobre isso. Adoeci depois disso por fugir de tudo. Quando eu passo naquela rua, eu me sinto muito mal. As pessoas querem ouvir de nós alguma coisa sobre isso, mas é o momento da justiça. Agora foi ele (Diego), daqui a pouco serão todos os outros. E em algum momento, eles vão voltar pra cá”, acredita.

Correio da Paraíba

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