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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Após 31 anos da morte do craque Dinor, história do trágico acidente é narrada em detalhes

Dinor entristeceu toda uma população que aprendeu a admirar o cidadão, a amigo e o craque fora de série que desfilava habilidades pelos times do Palmeiras e do Trintão nova-palmeirense
Foto: Arquivo/Alex Barros
Alex sentado na bola e Dinor, agachados em jogo pelo Palmeiras de Nova Palmeira, em 1983
Corria o mês de junho de 1987 e estava passando minhas férias em Nova Palmeira. Ao acordar num sábado, dia 20, saí de casa a procura de um estimado primo que também estava cidade. Era um dia ensolarado, sem nenhuma nuvem no céu, e ao encontrar com meu amigo, combinamos de conhecer a cerâmica de Civaldo, conhecida também como Senzala.


Passamos um período vendo como era o serviço puxado dos trabalhadores e voltamos para casa. E o que era para ser um sábado alegre para curtir o período de férias, tornou-se um dia traumático, que não saiu da minha memória e que, vez por outra volta a me recordar.

O horário era pouco depois do meio dia, quando percebi que havia uma movimentação diferente na principal rua de Nova Palmeira. Instantes depois, chega uma pessoa na casa de minha tia falando de um acidente ocorrido ali pertinho, cerca de 200 metros da entrada cidade.

Ao sair para olhar, o movimento na Almisa Rosa já era intenso, e tudo que se falava era da gravidade dos ferimentos em Clidenor de Albuquerque Farias, ou simplesmente Dinor, um exímio jogador de futebol e um dos seis ocupantes do Corcel II, que voltava de Picuí, naquele fatídico 20 de junho de 1987.

O acidente e a morte de Dinor
No ano de 1987, o sábado era o principal dia de movimento no comércio picuiense, local onde era ponto certo de muita gente dos municípios vizinhos.

Aproveitando a ida do jovem conhecido por ‘Antônio de Vená’ ou ‘Antônio Gibu’ (in memorian) e do seu irmão Ari até aquela cidade, Assunção com seu filho Alex e as irmãs Alzerina e Aldemira, resolveram pedir uma carona.

A viagem foi normal e, ao chegar em Picuí, cada um foi providenciar resolver seus intentos.

Se aproximava do meio dia e Antônio e os outros cinco passageiros já estavam prontos para voltar, quando, tomando uma cervejinha, Dinor, que teria ido até Picuí, fazer uma feira para a filha recém-nascida e jogar uma partida de futebol pelo Trintão local, pede para Ari regressar no ônibus da Expresso Nacional, que saia pontualmente às 12h00, para que ele pudesse terminar sua bebida e retornar com o seu irmão.

Aceito o acordo, Dinor paga a passagem de Ari que embarca no coletivo. Minutos depois, o atleta entra no Corcel branco junto com o colega motorista e Assunção, Alex, Alzerina e Aldemira.

Mesmo saindo primeiro, o ônibus é ultrapassado por Antônio, há cinco quilômetros de Nova Palmeira, próximo ao sítio Passagens.

Com uma velocidade acima do ideal para fazer a última curva da PB-177, antes da chegada em Nova Palmeira, o condutor do Corcel perdeu o controle e saiu em ziguezague, ao fazer nova ultrapassagem, agora sobre o Fusca de Romero (que seguia para Pedra Lavarada), até capotar do lado direito do asfalto.

Com uma pancada forte no olho, Alex saiu bastante machucado na face. Alzerina tirou a coluna do lugar e sofreu um corte que levou seis pontos na cabeça, depois de ficar presa às ferragens e ser resgatada por Adonias. Aldemira sofreu um grande corte no lábio inferior que pegou mais de 10 pontos. Assunção nada sofreu. Faltava Dinor.

As primeiras informações davam conta que o jovem se chocara fortemente numa cerca de arame farpado. As notícias confirmavam o que se falavam. Ele bateu com a cabeça numa estaca que afundou seu crânio. Muito sangue também saía pela sua boca.

Diante dos ferimentos concretizados, o amigo Civaldo disponibilizou com urgência sua D-20 para a transferência até Campina Grande. Porém, de nada adiantou a alta velocidade do veículo que socorria Dinor. Ao passar por Soledade e chegar próximo ao posto da Polícia Federal, o companheiro de todos faleceu.

Aos 26 anos, Clidenor de Albuquerque Farias, deixaria triste toda uma população que aprendeu a admirar o cidadão, a amigo e o craque fora de série que desfilava habilidades pelos times do Palmeiras e do Trintão nova-palmeirense. Hoje ele empresta o nome a principal praça de esportes da cidade.

Tristeza pós-morte
Mesmo menino ainda lembro aquele domingo triste, em que dezenas de amigos saíram até Campina Grande para dar o último adeus a Dinor. De folga do período escolar, fiquei por mais um tempo em Nova Palmeira e parei para prestar atenção na feira-livre, quase deserta.

Um feirante de Picuí perguntou a minha tia o motivo daquela rua quase sem ninguém. Diante da resposta, ele indagou: uma cidade inteira ficar assim por causa de uma pessoa?

Ouviu de imediato dela: “Você não sabe o quanto ‘essa’ pessoa era querida aqui. Tenha mais respeito e cuidado ao falar de quem não conhece”.

Coincidência trágica
Seis pessoas viajaram de Nova Palmeira para Picuí, todas começando o nome com a letra A. Das seis que foram, cinco voltaram ao lado de Clidenor, a única que não iniciava com a primeira vogal, e que foi a vítima fatal do acidente.

Blog NP.

2 comentários:

  1. Sobre Antônio, ele também era jogador amador de futebol, jogando no Palmeiras na posição de goleiro.

    Depois do acidente (não sofreu ferimentos mais graves) ele passou uns dias desaparecido até ser livrado o flagrante, por ser o causador da tragédia. Na época, salvo engano, morava em Brasília.

    Se tornou professor de karatê.

    Passava as férias em Nova Palmeira, e num desses períodos ensinou gratuitamente, a arte marcial aos jovens da cidade.

    Se mudou para Fortaleza e, em mais uma coincidência trágica, um acidente o levou a vida. Antônio bateu com sua potente motocicleta em um trem, na capital cearense, e morreu no ano de 1994.

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