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domingo, 16 de dezembro de 2018

Conheça a história da 'Sinuca de Louro', em Nova Palmeira

Situada na rua Almisa Rosa, a principal da cidade, a sinuca servia de encontro de amigos que gostavam de dar suas tacadinhas para passar o tempo
Foto: Reprodução/Vídeo/Halder Klay
Sinuca de Louro já em sua fase moderna, em abril de 2014
Lembra de como era a vida antes da internet?

Nova Palmeira, assim como os outros municípios brasileiros, se rendeu a rápida chegada da rede mundial de computadores. Não que isso seja ruim, mas a novidade deixou de lado diversos entretimentos marcados na agenda de alguns nova-palmeirenses.


Nos primórdios existia uma mesa de sinuca em Nova Palmeira. Ela era de Antônio Bezerra de Medeiros e ficava no local onde atualmente fica a casa de jogos de Gilvan. Francisco Bezerra Filho (Chico Pequeno), era o responsável pela administração do estabelecimento.

Quem não teve oportunidade de vivenciar a ‘Sinuca de Louro’?

Vendida a antiga mesa que Chico Pequeno (pai de Louro) comandava, para um popular de Soledade, Josessis Medeiros (Louro), resolveu estabelecer a jogatina em um espaço anexado a sua residência, e comprou em 1979, uma sinuca moderna, abrindo o local que ficaria marcado como o ponto de jogo mais conhecido dos nova-palmeirenses.

Situada na rua Almisa Rosa, a principal da cidade, o lugar servia de encontro de amigos que gostavam de dar suas tacadinhas para passar o tempo. Tacadas essas que muitas vezes eram levadas a sério, com jogos valendo uma certa quantia em dinheiro, combinada entre os jogadores.

Porém, na sua grande maioria, era só ‘valendo o tempo’. Pagava o valor, registrado através do relógio pendurado na parede, aquele que deixasse a melhor de três partidas como o perdedor.

Nos dias de semana, principalmente ao anoitecer, os senhores e alguns homens mais jovens enchiam a casa para acompanhar os duelos acirrados dos amadores, em jogos com seu regulamento oficial, e em alguns casos, com regras diferenciadas como era o caso da Estrela e do Vinte e Um.

Nos sábados e domingos, durante todo o dia, o local era tomado pelos jogadores e ‘perus’, (aqueles que só queriam observar e soltar o venenoso ‘pitaco’), que por muitas vezes aborreciam aqueles que estavam sendo prejudicados. Mesmo sendo repreendido pelo proprietário ou pelo seu filho, Sérgio, por causa do veneno destilado, o pitaqueiro sempre estava presente.

Após o Plano Real, em meados da década de 1990, Louro resolveu ampliar o espaço, uma vez que estava pequeno para tantas pessoas. Realizou uma reforma que praticamente duplicou o ambiente e comprou uma nova mesa, assim como a antiga, com sua base de pedra.

A novidade foi um sucesso e animou ainda mais as noites da semana e as manhãs de sábados e domingos de Nova Palmeira.

Com o passar do tempo e a chegada de novas tecnologias, o ‘point’ foi perdendo seu brilho. Redes sociais e o fácil diálogo entre as pessoas, via computador, contribuíram muito. Com a chegada da internet no celular, ampliou ainda mais o declínio nas visitas dos populares ao Centro da cidade, que cada vez mais ficava vazia.

Em 2012, Louro resolveu fazer nova reforma, restaurando piso, paredes e teto. Com um novo visual, bem mais moderno, o ambiente não conseguiu reaver o sucesso de outrora e, em 2016, fechou as portas para dar lugar a uma loja de móveis.

Homenagem
🎱O resgate histórico da ‘Sinuca de Louro’, que deve fazer muito leitor voltar ao túnel do tempo, é também uma homenagem aos mais diversos jogadores que fizeram parte dessa história, como – Kidu, Adonias, Paulo e Nêgo (filhos de Geraldo), Geraldo, Eduardo, Zé de Uede (todos in memorian), Alemão, Santos e Cirilo.

Curiosidades
🎱Alguns campeonatos foram realizados entre 1979 e 2016. Todos disputados em fins de semanas e com praticantes locais.

🎱Jogadores como Ronaldo, Sérgio de Louro, Reginaldo (Galo), Dualdo, Lêndinha e os irmãos da geração mais antiga: Louro, Rico e Nêgo Paulo, eram considerados como os principais da cidade, sendo chamados para embates, quando praticantes de outros municípios visitavam a terrinha.

🎱A pontuação era realizada num marcador rústico de madeira; e todo cuidado era pouco, pois se forçasse muito, as pedras colocadas nos três arames que ficavam na tabela, poderia vir ao chão.

🎱O gancho, o utensílio de suporte quando o jogador não conseguia apoiar o taco corretamente nas mãos, era comumente chamado de frache ou flasch.

🎱Uma jogada usada com diferentes expressões, era quando a pessoa matava a bola usando uma tabela. Muitos chamavam de dublê (correto), dobrei ou dobrê.

🎱No ambiente também havia espaço para o famoso jogo de baralho – ‘Relancin’ ou simplesmente ‘Pife’. A jogatina ficava ao fundo, onde Louro dava as cartas e ficava com um olho na formação do seu jogo e o outro no tempo das duas mesas de bilhar, para que os espertinhos não apagassem o horário de início da partida e, consequentemente, pagassem menos na hora de quitar a dívida dos minutos perdidos para o adversário de taco.

🎱Louro também ficava sempre de olho naquele que, por ventura, viesse a se exaltar, jogando com uma força excessiva, tacando embaixo demais da carambola (para não rasgar o pano) ou puramente subindo por cima da mesa (para não afrouxar as tabelas). A precaução sempre visava preservar as sinucas.

Blog NP

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