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terça-feira, 2 de julho de 2019

Paralisação de médicos suspende cirurgias eletivas no hospital da FAP, em Campina Grande

Denúncia indica suposta fraude nos códigos das autorizações das internações hospitalares, diminuindo os valores pagos pelos procedimentos

Os médicos cirurgiões do Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba (FAP), em Campina Grande, referência no atendimento a pessoas com câncer na região, paralisaram as cirurgias eletivas por tempo indeterminado, a partir desta segunda-feira (1º). De acordo com o documento da denúncia, enviado ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público Estadual (MPPB), a auditoria da Secretaria Municipal de Saúde teria fraudado o código das autorizações das internações hospitalares (AIH), com o objetivo de diminuir os valores pagos por procedimentos médicos realizados na unidade de saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que recebeu a denúncia com surpresa, porque a auditoria é feita com lisura e responsabilidade. No entanto, a secretaria deve pedir a presença de um auditor do departamento nacional para verificar qual o tipo de inconsistência. O presidente da Fundação Assistencial da FAP, Derlópidas Neves, disse que só vai se pronunciar sobre o caso quando tiver acesso aos documentos da denúncia e informou que já encaminhou ofício à secretaria solicitando o material para investigar os fatos.

Ainda conforme o documento da denúncia, em um dos procedimentos, que deveria custar R$ 1.075 foi pago por R$ 56, causando prejuízo aos profissionais que prestaram atendimento ao Hospital da FAP. Segundo os médicos, a suposta fraude acontecia desde 2017.

Por isso, os médicos cirurgiões paralisaram as atividades e as cirurgias eletivas oncológicas foram suspensas por tempo indeterminado. Apenas as cirurgias urgentes foram mantidas. Em média, 6 a 8 cirurgias por dia estão suspensas na unidade de saúde. Outros serviços, como quimioterapia e radioterapia, não foram afetados.

A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Estadual, além do Conselho Regional de Medicina (CRM). "Nós fomos procurados pelos cirurgiões, afirmando que estaria havendo desde 2017 uma diferença do pagamento autorizado e do que efetivamente estava sendo pago, com uma mudança de códigos, por parte da auditoria", informou Antônio Henriques, vice-presidente do CRM. Ele ainda informou que o Conselho vai abrir uma sindicância para investigar o caso e uma reunião foi convocada para tentar resolver o problema e retomar as cirurgias.

Waléria Assunção, TV Paraíba

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