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sábado, 31 de agosto de 2019

Queimadas na Amazônia podem interferir no clima de todo o Brasil

O Brasil não vive seu recorde de queimadas na Amazônia, mas o que o Inpe alerta é que os números são os maiores já registrados desde 2010 para o período de janeiro a agosto
Foto: Divulgação 
Fumaça teve origem nas queimadas nos estados do Pará e Rondônia
Preservar o meio ambiente é algo que tentam ensinar ao ser humano desde criança. No Brasil, uma das maiores defesas, sem dúvida, diz respeito à Amazônia, que chegou a ser chamada de ‘pulmão do mundo’. O conceito, equivocado, já foi desmentido por cientistas, mas permanece no imaginário popular. Talvez como uma forma de valorizar ainda mais o que já é riquíssimo. Esse sentimento de orgulho nacional, no entanto, não é compartilhado por um pequeno e favorecido grupo de pessoas.

Fazendeiros da região são suspeitos de praticarem, ao longo de décadas, desmatamentos ilegais na região amazônica. O assunto voltou a tona nas últimas semanas, desde que foi verificado aumento de queimadas. Fotos de fogo se espalhando pela floresta preocuparam o mundo.

O geógrafo e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Hermes Alves de Almeida aponta que a Amazônia é importante não somente para o Brasil, mas para todo o planeta. Um estudo divulgado no ano passado pela Universidade de São Paulo (USP) apontou que o bioma é um dos maiores estoques de carbono em ambientes terrestres do mundo. 

“Essa é uma questão global. O mundo assiste a essas queimadas de forma muito apreensiva, mas é importante destacar que elas sempre ocorreram. Algumas vezes, por questões climáticas. Outras, por interferência humana. Embora não estejamos diante de uma catástrofe iminente, é muito importante que políticas públicas de preservação sejam implementadas. O ideal é que o desmatamento e, consequentemente, as queimadas diminuam urgentemente.”

A Amazônia também é uma grande reguladora do clima. Diariamente ele fornece um elevado volume de umidade para a atmosfera, fazendo nascer o que convencionou-se chamar de rios voadores, que distribuem chuvas de Norte a Sul do país e chegam até mesmo a outros países, como Argentina e Uruguai. Quando há desmatamento, a floresta passa a emitir gases do efeito estufa, que têm poder de alterar o clima e causar secas extremas ou tempestades e enchentes severas. 

É muito difícil dimensionar todos os danos causados ao planeta em caso de completa destruição da Amazônia, até mesmo para especialistas. Ocupando quase metade do território brasileiro, ela é a maior floresta tropical do planeta e abriga a maior biodiversidade, com um terço das espécies da Terra. 

O Brasil não vive seu recorde de queimadas na Amazônia, mas o que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pela medição, alerta é que os números são os maiores já registrados desde 2010 para o período de janeiro a agosto. Em oito meses, foram identificados foram 71.497 focos de incêndio. A título de comparação, no ano passado, durante o mesmo período, foram 39.194. A série histórica do Inpe começa em 1998. Após a divulgação dos dados referentes ao ano de 2019, uma crise se instaurou e o diretor do instituto, Ricardo Galvão, acabou exonerado.

Imagens chocam
Apesar de não serem as maiores da história, as queimadas chocam brasileiros e estrangeiros. No dia 17, imagens de uma imensa nuvem de fumaça sobre boa parte do oeste da América do Sul causou espanto.

O registro foi feito pelo Satélite Meteorológico Geoestacionário GOES-16, operado pelo National Oceanic and Atmospheric Administration, dos Estados Unidos. Várias personalidades públicas têm se manifestado nas redes sociais contra o desmatamento, desde o início de agosto.

O que diz o governo
Sobre a comoção internacional em torno do caso, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, argumenta que há “cobiça” por conta das riquezas naturais brasileiras. 

“É irresponsável acharmos que a Amazônia não é objeto de cobiça internacional. O mundo tem uma crise, e ela é vastamente comentada, uma crise de alimentos, uma crise de matéria-prima, de commodities“, disse ele. “A Amazônia é vista como um depósito de futuras conquistas do ser humano. Então, é óbvio que há ambições claras em relação à Amazônia”.

Augusto Heleno reconheceu que é necessário dar atenção à conservação da floresta tropical, mas disse que as preocupações internacionais foram demonstradas de forma exagerada.”Não podemos aceitar que o Brasil seja difamado mundialmente por uma jogada política, por interesse de um político, que não é o interesse nem do seu país nem o interesse da Europa.

Na quinta-feira (29), o governo federal suspendeu, por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União, a prática de queimadas no país por 60 dias. Ainda não há confirmação de tendência à extinção do fogo na Amazônia, mas o governo acredita que a Operação Verde Brasil, que reúne várias agências no combate aos incêndios seja positiva. 

Portal Correio

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