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domingo, 22 de setembro de 2019

Feminicídios são mais de 60% das mortes de mulheres no mês de agosto, na Paraíba

Oito mulheres foram assassinadas em agosto, na Paraíba. Cinco delas foram mortas por motivação de gênero, conforme investiga a polícia

No mês de agosto, oito mulheres foram mortas na Paraíba. Cinco casos estão sendo investigados como feminicídios. Esse número representa que 62,5% dos assassinatos de mulheres aconteceram por motivação de gênero, apenas no mês de agosto.

Até que os dados de agosto fossem analisados, o mês de julho era considerado o terceiro mês com mais mortes de mulheres. Sete mulheres foram assassinadas. No entanto, com a atualização das estatísticas, julho cai para quarto, deixando o espaço do terceiro lugar para o mês de agosto.

O mês de maio lidera o ranking de mulheres assassinadas. Dez foram mortas por homicídio doloso. Cinco, desse total, foram feminicídios. Na sequência está o mês de abril, com nove homicídios de mulheres e seis feminicídios.

Embora o mês de maio tenha sido o mais violento, o mês de abril, em proporção, foi o que mais registrou a morte de mulheres por motivações de gênero. Nesse mês, o número de feminicídios subiu 50% apenas em relação ao primeiro trimestre do ano.

'Amanhã vou na delegacia'
Dois casos de feminicídios que aconteceram no mês de agosto marcaram as estatísticas, mas para não esquecer.

No dia 5 de agosto, a cabeleireira Rosinete Martins da Silva, de 44 anos, não abriu o salão de beleza. Tinha medo de que as ameaças do ex-marido se concretizassem, porque ele não aceitava o fim do relacionamento. Nesse mesmo dia, antes de ser assassinada a tiros, em Juazeirinho, no Cariri da Paraíba, Rosinete ligou para uma amiga e disse que iria denunciá-lo. Mas a delegacia estava fechada. "Amanhã eu vou na delegacia, às 8h eu vou lá", disse ao telefone a uma amiga.

A cabeleireira perdeu a oportunidade de defesa e proteção. A solução que encontrou diante da delegacia fechada foi esperar pelo dia seguinte. Mas por volta das 15h José Gomes da Silva Neto entrou na casa pelo telhado e efetuou dois tiros que atingiram Rosinete na cabeça e no braço. Em seguida, ele também se matou com um tiro na cabeça.

O superintendente de Polícia Civil de Campina Grande, delegado Luciano Soares, disse que a delegacia estava fechada por causa do feriado. Ele explicou que nesses casos o plantão da Polícia Civil na região estava funcionando na cidade de Esperança, cerca de 100 km de Juazeirinho. Ainda de acordo com Luciano Soares, esses casos devem ser comunicados também à Polícia Militar, a quem cabe os primeiros atendimentos.

'Cena macabra'
No fim do mês, dia 28 de agosto, Juberlúcia Oliveira da Silva, de 30 anos, foi morta e a filha dela, de 13 anos, foi esfaqueada. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro da mulher, um homem de 39 anos, que teria arrombado a casa da vítima com uma alavanca e, em seguida, atacado a ex-companheira.

“O que a gente viu foi uma cena macabra. Não dá pra dizer de quem é exatamente o sangue espalhado pela casa, porque a mulher foi esfaqueada, a filha dela, de 13 anos, também e, pelo que vimos, houve luta corporal e ele também deve ter ficado bastante ferido”, contou o delegado Manoel Martins.

A adolescente de 13 anos foi atingida por quatro golpes de faca e teve os pulsos quebrados ao tentar se defender do suspeito. Uma das facadas atingiu o pulmão e, na tentativa de se defender do suspeito, ela teve os pulsos quebrados. De acordo com o delegado Manoel Martins, o pai dela se suicidou ano passado.

O suspeito, de 39 anos, foi preso no dia 29 de agosto, em Patos, no Sertão paraibano. Segundo a Polícia Civil, ele se apresentou com um advogado e confessou o crime.

G1 PB

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