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domingo, 24 de novembro de 2019

Escritor filho do comandante da ação que matou Lampião defende a imagem do pai: 'Foi um herói'

Paulo Britto esteve no evento 'Cangaço Campina', realizado na Paraíba durante o fim de semana

João Bezerra foi o tenente que liderou
a ação que acabou com a morte de Lampião
Foto: Paulo Britto/Acervo Pessoal
O movimento do Cangaço marcou o Nordeste para além das últimas décadas do século XIX e da primeira metade do século XX como uma reação ao coronelismo. Até os dias atuais, a região é marcada por imagens, símbolos e discursos que são herança do movimento na mídia, literatura e cotidiano. O Cangaço, no entanto, divide opiniões entre os que veem nos cangaceiros heróis que lutaram para mostrar a força popular e os que enxergam como banditismo.

Entre as dicotomias, descendentes dos envolvidos no combate ao Cangaço buscam pesquisar e elucidar questões sobre o tema. É o caso do escritor Paulo Britto, filho do tenente João Bezerra, que liderou a volante que matou Virgulino Ferreira, o Lampião, maior representante entre as lideranças cangaceiras, no dia 28 de julho de 1938.

"Ele [João Bezerra] não é pra ser injustiçado. É pra ser enaltecido. A vida dele foi pautada para cumprir os serviços militares e ele fez. Pra mim, sem ser ligado à figura paterna, ele foi um herói”, relata Paulo Britto.

Defensores do Cangaço demonizam a imagem do tenente João Bezerra, afirmando que a ação colocou fim na história de quem lutava contra a miséria do povo pobre no Sertão nordestino. Segundo Paulo Britto, o comandante foi um herói.

“A minha batalha é para resgatar a verdade como ela deveria ser contada, fora do terreno do achismo que cria acontecimentos que não aconteceram. Eu foco na imagem do meu pai como militar fazendo seu trabalho na missão que lhe foi dada e como era difícil o combate ao banditismo naquela época. É dar um norte do que seja mais próximo da realidade", afirma Britto.
 
Virgulino Ferreira, o Lampião (centro, ao lado de Maria Bonita),
maior representante entre as lideranças cangaceiras,
foi morto no dia 28 de julho de 1938 (Foto: GESP/Arquivo)
João Bezerra foi, de fato, um militar cumprindo o dever de maneira exemplar. Antes do combate de Angicos, o tenente já havia participado de missões especiais com expedições de guerra fora do estado de Alagoas, onde era sediado, nas revoluções de 1925, 1930 e 1932. Também foi nomeado como delegado nove vezes, exerceu cargo de prefeito interventor na cidade de Piranhas, em Alagoas, e recebeu várias menções honrosas de chefes e líderes em jornais.

“Meu pai teve uma vida extensa no militarismo. Ele recebia constantemente boletins por bravura e merecimento em outras missões e seu destaque em outras missões o dava a confiança dos comandantes, que sempre o colocavam em missões difíceis para prender grandes figuras da época”, diz o escritor.

Além disso, após o êxito na missão de acabar com o bando de Lampião, outros cangaceiros como Corisco e Zé Sereno se entregaram às forças do Estado Novo comandado por Getúlio Vargas. Além de cumprir com o objetivo, a ação militar deu ao Estado a oportunidade de não mais lidar com forças adjacentes que desacreditavam a força do Governo Federal. E é justamente nesta perspectiva que Paulo Britto luta para resgatar a imagem do pai como um nome de grande importância para a história do Brasil.

Cangaço Campina
O escritor e pesquisador Paulo Britto levou o tema para debate no evento Cangaço Campina, que começou na sexta-feira (22) e também conta com a presença de outros estudiosos sobre o tema. O evento acontece até domingo (24) na Vila Sítio São João, em Campina Grande.

G1 PB

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