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sábado, 18 de janeiro de 2020

Câmera do celular poderá ser usada para detectar infecção urinária

Cientistas da Universidade de Bath desenvolveram tecnologia que usa smartphone para identificar presença de bactéria

Dr. Nuno Reis lidera o teste que consegue identificar
infecção urinária através de câmera de celular
Foto: Reprodução/Fierce Electronics
Uma câmera de smartphone foi utilizada por cientistas da Universidade de Bath no processo para diagnosticar infecção no trato urinário (ITU). A tecnologia foi possível graças aos pesquisadores que descobriram uma maneira mais rápida e funcional de descobrir a doença usando o conjunto fotográfico do celular. De acordo com os cientistas, o teste pode ser feito em apenas 25 minutos.

Devido ao potencial portátil, a nova tecnologia permite que o processo seja mais utilizado em países subdesenvolvidos e em áreas remotas, onde laboratórios especializados são de difícil acesso.

O processo funciona basicamente como um teste de gravidez e consegue identificar as bactérias características da infecção urinária. O teste se baseia em passar uma amostra de urina sobre uma tira de plástico equipada com anticorpos capazes de imobilizar estas bactérias. Então se adiciona uma enzima que muda a cor dos micro-organismos, tornando-os visíveis através de uma câmera de smartphone.

O estudo indica que as bactérias E. Coli são encontradas em 80% das infecções urinárias. Portanto, quanto antes forem identificadas, mais rápida é a administração de um médico com os antibióticos corretos. Antes o processo levava dias, era caro e estava disponível somente em laboratórios especializados.

"Atualmente, as infecções bacterianas nas ITUs são confirmadas através de testes microbiológicos de uma amostra de urina. Isso é preciso, mas demorado, levando vários dias. Esperamos que dar aos profissionais médicos a capacidade de decidir ou descartar rapidamente determinadas condições lhes permita tratar os pacientes mais rapidamente e ajudá-los a tomar melhores decisões sobre a prescrição de antibióticos", explica o dr. Nuno Reis, que liderou a pesquisa.

Ele ainda ressalta que os países ricos também se beneficiaram do teste, já que diminuiria o volume de amostras enviadas atualmente, o que reduziria os custos.

"Impulsionar mais disso trará melhores resultados aos pacientes em termos de acelerar o processo, mas também reduzirá o custo para os profissionais de saúde. Não estamos falando em substituir serviços de diagnóstico centralizados, mas em fornecer o primeiro ponto de contato com ferramentas rápidas e acessíveis para apoiar a prescrição de antibióticos e evitar o uso excessivo", afirma o pesquisador.

Apesar de ter passado na prova de conceito, o teste ainda precisa ser aprovado por órgãos reguladores como o Food & Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. O órgão é resistente em aceitar técnicas que utilizam smartphones e ainda enfatiza o potencial especializado dos laboratórios. Além disso, critica a natureza dos softwares que tornam os testes não científicos.

Rodrigo Roddick, para o TechTudo

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