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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Cidades no Ceará cancelam festas de carnaval devido a motim de policiais militares

Paracuru, que tem umas das mais tradicionais festas de carnaval do Ceará, anunciou cancelamento da festa por 'impossibilidade de garantir segurança'

Agentes do Exército realizam a segurança em ruas
próximas ao Comando da 10ª Região Militar,
no Centro de Fortaleza - Foto: José Leomar/SVM
Ao menos cinco cidades do Ceará cancelaram festejos de carnaval devido ao motim de parte dos policiais militares do estado. A Prefeitura de Paracuru, que realiza um dos mais tradicionais carnavais do Ceará, alega que a paralisação de policiais gera "impossibilidade de garantir segurança adequada aos foliões".

"Avaliei o momento com toda a cautela e, em nome da segurança, não só dos nossos cidadãos como dos visitantes, cheguei à conclusão de que devíamos cancelar as festividades previstas a partir do dia de hoje", afirmou o prefeito de Paracuru, Eliabe Albuquerque, nesta sexta-feira (21).

As atrações Alfazemas, Felipão e Lagosta Bronzeada estavam previstas para se apresentarem no município. O valor da verba que seria destinado ao carnaval em Paracuru será doado para a Secretaria da Saúde do estado.

Conforme a Prefeitura de Paracuru, a expectativa era receber cerca de 40 mil pessoas por dia apenas na praça matriz da cidade, onde ocorrem os principais shows. No sábado de carnaval, a estimativa era de 50 mil pessoas presentes no local.

Em Milagres, Paraipaba, Forquilha e Canindé, as prefeituras também confirmaram o cancelamento das festas previstas, devido à falta de segurança com o movimento paredistas dos policiais.

Parte dos PMs do Ceará continua com a paralisação. Nesta quinta-feira (21), após reunião entre representantes dos policiais e comissão de senadores, policiais militares que participam de um motim no Ceará decidiram recusar proposta do governo para chegar a um acordo do fim da paralisação.

Os representantes dos policiais decidiram manter a paralisação após o representante da categoria, o ex-deputado federal Cabo Sabino, informar as propostas do governo. “Nós vamos continuar aqui [no quartel] com a decisão da maioria da categoria e nós só estamos aqui para obedecer o que a maioria decidiu”, disse Sabino.

Exército e Força Nacional
Com o número reduzido de policiais atuando no Ceará, o estado recebe reforço de tropas do Exército e Força Nacional. As tropas do Exército que farão o patrulhamento serão formadas por militares de Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, e vão atuar de forma prioritária na capital e cidades da Região Metropolitana. No interior, as forças serão empregadas conforme a demanda.

A expectativa era que o Exército começasse a atuar a partir da tarde desta sexta, mas por volta das 10h, já havia tropas realizando patrulhamento no Centro de Fortaleza, em ruas próximas do comando da 10ª Região Militar, onde uma reunião definiu os detalhes da operação.

A violência disparou durante o motim. Entre as 6h de quarta-feira e as 6h de quinta, o estado teve 29 homicídios – quase cinco vezes a média diária de 2020, de seis por dia.

Resumo
5 de dezembro: policiais e bombeiros militares organizaram um ato reivindicando melhoria salarial. Por lei, policiais militares são proibidos de fazer greve.
31 de janeiro: o governo anunciou um pacote de reajuste para soldados.
6 de fevereiro: data em que a proposta seria levada à Assembleia Legislativa do estado, policiais e bombeiros promoveram uma manifestação pedindo aumento superior ao sugerido.
13 de fevereiro: o governo elevou a proposta de reajuste e anunciou acordo com os agentes de segurança. Um grupo dissidente, no entanto, ficou insatisfeito com o pacote oferecido.
14 de fevereiro: o Ministério Público do Ceará (MPCE) recomendou ao comando da Polícia Militar do Ceará que impedisse agentes de promover manifestações.
17 de fevereiro: a Justiça manteve a decisão sobre possibilidade de prisão de policiais em caso de manifestações.
18 de fevereiro: três policiais foram presos em Fortaleza por cercar um veículo da PM e esvaziar os pneus. À noite, homens murcharam pneus de veículos de um batalhão na Região Metropolitana.
19 de fevereiro: batalhões da Polícia Militar do Ceará foram atacados. O senador Cid Gomes foi baleado em um protesto de policiais amotinados.
20 de fevereiro: policiais recusaram encerrar o motim após ouvirem as condições propostas pelo Governo do Ceará para chegar a um acordo.
21 de fevereiro: tropas do Exército começam a atuar nas ruas do Ceará.

G1 CE

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