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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Obesidade pode prejudicar eficácia da vacina contra Covid-19, diz entidade de saúde

Isso porque já se sabe que imunizantes contra a gripe, hepatite B, tétano e raiva podem ser menos eficazes neste público do que na população em geral

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principal entidade de saúde pública nos EUA, está preocupado com a eficácia da vacina contra a covid-19 em pessoas obesas. Isso porque já se sabe que imunizantes contra a gripe, hepatite B, tétano e raiva podem ser menos eficazes neste público do que na população em geral. E tudo indica que com a vacina contra a covid-19 não será diferente.

“Quando a vacina chegar, e há indicação de que ela virá em breve, os obesos seguirão mais suscetíveis à covid-19”, alerta o médico e pesquisador Cid Pitombo, coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro.

A constatação preocupa particularmente os Estados Unidos, que tem uma população com mais de 107 milhões de adultos obesos. No Brasil, metade da população é considerada acima do peso e 20% dos adultos estão obesos, de acordo com o Ministério da Saúde.

Obesidade e reposta imune

Alguns estudos internacionais já vêm alertando o que a experiência brasileira também confirma: obesos têm mais chances de apresentar casos graves para o novo coronavírus, com longas internações e maior percentual de morte.

“O obeso é um inflamado crônico. Minha tese de doutorado na Unicamp foi justamente sobre os efeitos dos agentes inflamatórios produzidos pela gordura, principalmente pela gordura visceral, sobre a resistência insulínica e produção do diabetes, também sobre as doenças coronarianas e o fígado. Por isso, vírus de alto impacto no organismo são mais graves entre os obesos por conta dessa condição da doença”, explica o médico Cid Pitombo.

A primeira vez que cientistas observaram essa relação entre obesidade e vacina foi em 1985. Na ocasião, funcionários obesos de um hospital receberam a vacina contra hepatite B e mostraram um declínio significativo na proteção de anticorpos produzidos 11 meses depois. O mesmo não foi observado em funcionários não obesos. Comportamentos semelhantes foram também vistos com as vacinas contra a hepatite A, contra o tétano e raiva.

O especialista alerta que é fundamental que pacientes obesos tenham consciência de que são um grupo de maior risco para a covid-19 e sigam as medidas de prevenção e controle de contaminação, mesmo após a vacina.

Catraca Livre

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